
Escrever-te porque o barco é longo e eu não tenho nada para fazer…
Escrever o teu cheiro na minha pele ou ela nele ou eu em ti. Escrever a eterna descoberta que é conhecer-te, cada vez mais fundo, mais dentro, como fazer amor ou deixar que o amor nos faça. Escrever que me completas e divides, atrais e repeles, perdes e ganhas, invariavelmente.
Escrever o barco onde estou e a casa que devíamos ter para que eu estivesse lá. Escrever o quanto é bom voltar atrás e ver que tudo ainda é como era dantes. E que nunca mais vai ser como já foi. Escrever que o amor não muda mas se altera. Como nós.
Escrever-te o que não entendes e o que sabes e o que eu não sei explicar ou compreender. Escrever o homem que és e a mulher que ainda não sou. E o contrário. E o que não importa. Escrever que o importante é estar e nem é estar és tu e nem és tu. Escrever o que é confuso e complicado e louco como não saber ser tua nem deixar de o ser. A minha vida desenhada de propósito para ser intermitente.
Escrever que queria. E às vezes ainda quero. E às vezes não. Escrever dentro de ti e ler-te o sangue para saber quem sou e o que escrevi. Escrever-te o corpo e a alma e o quanto corpo e alma são iguais e indiferentes e indissociáveis. Como vida e morte. Como o início e o fim da circunferência.
E escrever que o barco atraca. E escrever o fim do mundo. Para que não haja barcos e nem cartas e nem sobre o que escrever. Para que fique tão somente a nossa essência num momento intemporal…
("Nothing to win and nothing left to lose...")

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