sábado, abril 15, 2006


(...) Os seus pés hesitavam em subir os degraus da escada de caracol. Ele estava lá em cima, sentado na cama, virado para a parede à sua espera. Ela sentia-o entristecer ainda antes de o avistar. Demorou-se em passos pequenos a subir as escadas, no último degrau parou. Parou a olhá-lo. Estava encurvado e as suas mãos continuavam a segurar a cabeça como há minutos quando a havia sentido sair. Pousou levemente a mochila no chão, descalçou as sabrinas e começou a caminhar… pé ante pé, sem pressa, num cuidado intenso preocupada com o ruído. Queria conservar o silêncio, não para surpreendê-lo porque sabia que a sua presença lhe chegava aos sentidos, mas para eternizar o momento nos sons mudos que cresciam no silêncio. Aproximou-se da cama, deixou-se apoiar suavemente nos joelhos e chegou-se a ele. Com receio estendeu a mão e acariciou-lhe a cabeça rapada. Ele virou-se num movimento demorado e fitou com profundidade os seus grandes olhos brilhantemente castanhos. Olharam-se durante uns longos minutos e conversaram, assim, em silêncio. Partilharam emoções de boca fechada e entenderam-se como nunca... Um beijo profundamente sentido quebrou a linha do olhar e lançou-os delicadamente nos lençóis da cama. Os lábios dele percorriam-lhe o pescoço e o peito numa suavidade que saboreava. Em movimentos sensuais as mãos dela acariciavam-lhe a careca tão apreciada e descendo pelo corpo apertavam os dedos contra as costas dele. As roupas iam deslizando pela cama e as pernas moviam-se, entrelaçavam-se. A pele pálida dos dois confundia-se, o suor misturava-se e os corpos uniam-se. Os movimentos da paixão cresciam, iluminados pela vela repetidamente acesa a cada noite como uma espécie de lembrança e cuja chama crescia como que alimentada da energia que unia os dois amantes. Amaram-se apaixonadamente toda a noite e, ainda antes dos raios do sol poderem intensificar-se, Leonor vestiu-se, pegou nas suas coisas e partiu definitivamente, deixando apenas a vela e a memória de uma noite em que ele a sentiu apaixonar-se.
Será este o fim? Ou apenas o recomeço? Pois... Ainda não sei...

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Cachopa! Gostei muito do texto. É envolvente, tem um quanto de sensualidade e ao mesmo tempo mística. Mas o que gostei mesmo foi a sensação de compasso de espera ao cimo das escadas ou enquanto as percorríamos! Pois... Porque eu também la estava, era eu!!! lol (já sabes como eu sou! é só indecisões ;P)
Mas... passando a frente, eu gostava que fosse o fim de uma história! Para ser diferente. Nem tudo na vida é cor-de-rosa! ;)

11:58 a.m.  

Enviar um comentário

<< Home