Um Vislumbre de Mil Vidas...

Já te aconteceu alguma vez ires na rua e quereres absorver tudo aquilo que vês até ao mínimo detalhe? Será que, como eu, dás por ti, quase inconscientemente, a esquadrinhar cada rosto ao sabor da tua própria imaginação? Terás tu por hábito catalogar as pessoas? Interrogas-te sobre o que pensam, o que as preocupa, o que as faz felizes? Será que algum dia deste por ti frustrado por não conseguires ajudar alguém em quem intuis um fardo demasiado pesado, apesar de partilhar contigo apenas alguns segundos quando se cruzam na rua?
A cada um dos meus dias se misturam gentes diferentes… Vejo um homem que corre e pergunto-me se o faz todos os dias ou apenas de vez em quando, dou por mim curiosa sobre a distância que percorre e a paisagem que o vê passar… Será que corre sempre à mesma hora ou quer, pelo menos fora do trabalho, roubar alguns instantes de vida à rigidez dos ponteiros do relógio? Quem é? Porque gostará ele de correr?
Por vezes, na cada vez mais rotineira viagem de autocarro de regresso a casa ao fim da tarde, vejo um homem já de idade a espreitar a rua através da janela querendo talvez desmistificar os segredos das multidões cansadas que se rendem ao final de mais um dia de trabalho. Que procura? Será que um dia perdeu alguém que não desistiu ainda de reencontrar? Ou tentará apenas gravar os rostos que vai vendo a cada noite e compará-los com a sua base de memórias? Será que já se deu conta de que o espreito através do vidro e lhe tento conferir um propósito? Será que me catalogou a mim como a estudante sonhadora que regressa a casa? Será que se perguntará sobre o que a vida me reservou quando deixar de fazer parte do panorama dos seus fins de tarde em Coimbra? E que outras histórias, para além da minha, poderá ter fantasiado?
Enquanto escrevo, uma rapariga dos seus 13 anos, talvez um pouco menos até, observa-me, atenta, por debaixo de negras pestanas. Indagar-se-á talvez sobre o que gravo no papel, talvez germine nela também o desejo de escrever assim, envolver-se e tecer as horas na doçura das palavras. Ou talvez seja apenas curiosa… nunca o saberei ao certo! Hoje em dia estamos sempre tão embrenhados no nosso próprio anonimato que só raras vezes nos atrevemos a entabular conversas com estranhos…
Mas contigo posso falar, acho que tu me conheces. Talvez possas então satisfazer-me a curiosidade… Quando me olhas, o que vês? Sou assim tão diferente das outras pessoas com que um dia te cruzaste? Porque me escolheste a mim? Porque te empenhas tanto em fazer-me feliz?...

1 Comments:
tá mt fixe miuda..continua a postar..vou começar a passar por aki mais vezes ;)
ah e eu catalogo-te no grupo de pessoas k sabem o k kerem e k tem uma forte personalidade.se calhar n tem muito a ver..mas é a sensação k passas à primeira vista..
bjoka
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